Tomar consciência de que o Brasil é um país multirracial e pluriétnico e reconhecer e aceitar que, nesta diversidade, negros e indígenas têm papéis da maior relevância para a sociedade brasileira são aprendizagens que convergem para a educação das relações étnico-raciais porque, conforme expressa o Parecer CNE/CP 3/2004, esta educação pode oferecer conhecimentos e segurança para negros orgulharem-se de sua origem africana; para os brancos, permitir que identifiquem as influências, as contribuições, a participação e a importância da história e da cultura dos negros no seu jeito de ser, viver, de se relacionarem com as outras pessoas.
O processo educativo que viabiliza essas aprendizagens necessárias encontra embasamento nos princípios da consciência política e histórica da diversidade, do fortalecimento de identidades e de direitos, das ações educativas de combate ao racismo e às discriminações, também apontados no mesmo Parecer.
A escola deve cumprir a parte que lhe toca nos compromissos de Estado assumidos pelo Brasil, enquanto signatário de tratados internacionais, de constituir uma democracia em que as pessoas usufruam em sua plenitude a condição de cidadãos, independentemente de raça/etnia, cor, posição e papel social, religião, gênero. A instituição escolar tem de criar mecanismos e instrumentos de uso permanente, via projeto político-pedagógico e currículo, para intervir na realidade que exclui o negro (pretos e pardos), bem como os indígenas, entre outros, do acesso aos direitos humanos fundamentais.
Para tanto, deve constituir-se em ambiente educativo, acessível a toda a comunidade escolar, em que se respeita o outro, em que se dá visibilidade a todos, combatem-se as discriminações, busca-se eliminar os preconceitos e são desfeitos os estereótipos, em que se estimula a auto-imagem e a auto-estima positivas, em que se promove a igualdade étnico-racial pela desconstrução das diferentes formas de exclusão.
As relações étnico-raciais – história e cultura afro-brasileira na Educação Infantil
O cumprimento da Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, bem como das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira (2004), têm provocado mudanças nas práticas pedagógicas de professores e professoras de toda a educação básica. Para tanto, profissionais da educação têm procurado adequar suas práticas educativas, buscando tais conhecimentos em formações continuadas, em grupos de estudos para que o ambiente escolar e o de sala de aula possam, de fato, incluir a cultura de origem africana e promover a educação para as relações étnico-raciais. Mas há que se fazer algumas considerações. Uma delas é no que se refere ao discurso, por parte de educadores/as da Educação Infantil, de que, na faixa etária de 03 a 05 anos, as crianças não têm preconceito, racismo ou agem com discriminação. Pesquisas mostram que estas situações existem e precisam de todo o cuidado por parte do educador para identificá-las e atuar a partir delas. Uma outra consideração é a de que, identificadas tais situações, educadores alegam não ter os conhecimentos necessários para desenvolver ações que as combatam ou, ainda, questionam como abordar temas tão complexos com crianças da Educação Infantil. Nesta fase da vida, as crianças se interessam por brincadeiras, jogos, histórias. Desenvolver práticas educativas a partir destas situações têm sido importante para que educandos e educadores conheçam histórias e culturas africanas e afro-brasileiras, desmistificando o tema e tornando positiva e real a participação dos africanos a afro-brasileiros na história nacional
Música - Na escola ( Edson Gomes/Cd. Barrados no Baile)
NA ESCOLA
Há tanto tempo estamos aqui
Nesta terra brasileira
Caminhando com saudade
Exclusividade é a liberdade
Viemos da fúria do mar
Vivemos da fúria do mandar
O homem ilustre mandou queimar
Toda a nossa História
E lá na escola nos ensinaram a ter vergonha
Temos nosso jeito, temos o nosso próprio cheiro
Nosso cabelo é duro, não conhecemos preconceito
Somos livres
E queremos ser assim, sempre livres
Desejamos ser assim
Jogo capoeira, sou a voz da resistência
Sou a massa regueira
Massa viva e verdadeira
Somos da África
O povo da África
(...)
E lá na escola branca novamente a vergonha
Porém a cor não nega
A cor é forte, é cor da terra
E se ainda se negar
O sangue é vivo, o sangue entrega .